domingo, 22 de dezembro de 2013

Caças de 4a Geração e a escolha do Gripen NG para a FAB

Imagem: Gripen NG

Recentemente saiu a notícia de que o governo brasileiro escolheu finalmente o novo caça da força aérea brasileira que irá substituir os Mirage 2000 comprados usados da França e os F-5 muito velhos que temos atualmente. Há mais de 10 anos que a escolha do novo caça brasileiro se arrasta, assim eu gostaria de discutir aqui as opções que foram levantadas e os prós e contras de cada uma e chegar a uma conclusão se a escolha foi boa ou não.

Os três concorrentes principais foram o F/A-18 americano, o Rafaele francês e o Gripen NG suéco. No início do processo ainda foram considerados o Sukhoi russo e o Eurofighter inglês, mas estes foram discartados há muito tempo. O Eurofighter é muito caro, assim não seria uma boa escolha, mas não sei ao certo porque o caça russo foi descartado tão cedo.

Para a escolha é importante saber qual o objetivo de gastar dinheiro, algo que está sempre em falta, e que poderia ser gasto em tantas outras coisas mais necessárias, como hospitais e escolas, em aviões de guerra. Mesmo o Brasil estando numa região pacífica, onde há muito tempo não há guerras, ter forças armadas para garantir a paz por simplesmente possuir um poderio militar que coíba uma eventual invasão é indispensável. Oras, se até a neutra Suiça cercada de países amigaveis tem uma força armada nada desprezível, quanto mais o Brasil, que tem recursos naturais riquíssimos e tem na sua fronteira loucos como o cocaleiro Evo Morales da Bolívia e os chavistas na Venezuela, precisa ter uma defesa de respeito.

Comparação dos Aviões

Tendo em vista que é importante ter um caça moderno, o objetivo principal mais específico desse caça seria primeiro de tudo interceptar aviões inimigos e estabelecer a superioridade aérea. Por isso ao comparar os caças eu procurei saber se eles de fato tem vitórias comprovadas no combate ar-ar, o que mostra que não são apenas brinquedos caros, mas sim ferramentas de guerra de eficácia comprovada. E secundariamente o caça deveria ser capaz de realizar todas outras tarefas de avião, como bombardear alvos no solo, lançar mísseis ar-terra e ar-mar, realizar o reconhecimento no território inimigo, etc. Em fim, procura-se um avião que faz de tudo, mas que acima de tudo deva interceptar aviões inimigos. Dos caças considerados os únicos com vitórias ar-ar contra outros caças são o F/A-18 e o Sukhoi. Não há mais guerras entre países desenvolvidos, assim os caças acabam nem tendo a chance de ser usados para se provar, pois enfrentam inimigos tão inferiores que nem oferecem muita resistência como a Líbia na recente Guerra da Líbia aonde o Rafaele abateu aviões a hélice de transporte desarmados e o Gripen participou de bombardeios. O armamento do Rafaele por outro lado é de comprovada eficácia, em 1996 um Mirage 2000 grego abateu um F-16D turco com um míssel francês R550 Magic II, assim os mísseis franceses podem abater até mesmo caças americanos! Já o Gripen NG vai usar usar armamento americano, o mesmo do F/A-18.

Além disso, também é importante pensar no preço, já que mesmo os chavistas e cocaleiros teriam que ser muito loucos de atacar o Brasil, e o orçamento federal está sempre apertado, é importante que o caça não seja caro de comprar e nem caro de manter. Nesse aspecto o Eurofighter peca, pois é o mais caro. O Rafaele em todos outros quesitos é excelente, mas no preço ... realmente eu concordo com o governo brasileiro ao dizer que o preço do Rafaele é muito salgado. O Gripen NG é de longo o mais barato, mas ele também é muito menor que os outros e carrega menos armas.

Um outro aspecto ainda é a transferência de tecnologia que permitiria construir partes do caça no Brasil e se encaixar na produção do mesmo não apenas para as compras brasileiras, mas idealmente para as compras futuras do caça por outros países no mundo tudo. Isso pode parecer não ter muito a ver com defesa, mas pelo contrário, tem tudo a ver. No caso de uma guerra real, uns poucos caças não bastariam, seria necessário ter muitos mais, até centenas, e o único meio confiável de ter centenas de caças sem depender de um aliado benevolente e o país saber fabrica-los ele mesmo. Além disso é obvio que os empregos gerados no Brasil e o PIB gerado também são benefícios extras.

Na tabela abaixo temos uma visão geral comparando os aviões que foram considerados no processo, mostrando os quesitos que mencionei anteriormente: preço unitário, o custo operacional, a tecnologia, a carga de mísseis e as vitórias ar-ar do caça (ou outros semelhantes).

AviãoPreçoCusto operacional de 1 hora de vôoTecnologiaCarga de mísseis e bombasVitórias ar-ar em combate
Boing F/A-18 Super Hornet
70M $US
11 mil US$
Comprado como produto pronto dos EUA sem possibilidade de transferir tecnologia ou construir partes
7,5 tons
F-18 abateram vários Migs iraquianos na Guerra do Golfo I (1991) [fonte]
Dassault Rafaele90M $US
16 mil US$
Motor (Snecma M88) e armamentos franceses, com possibilidade de construir partes no Brasil, assim poderia ser exportado para qualquer país
10 tons
Alguma experiência na Guerra da Líbia, os mísseis franceses são muito bons
Saab Gripen NG
55M $US
5 mil US$
O Brasil construiria 40% do avião com transferência da tecnologia sueca e projeto de partes aqui, mas o motor e os armamentos são americanos
3 tons
Nenhuma, experiência na Guerra da Líbia
Sukhoi Su-35
65 $US
?
Tecnologia russa
6.5 tons
Su-27 da Etiópia abateram 3 Migs da Eritréia 
Eurofighter Typhoon
115M $US
18 mil US$
Tecnologia principalmente inglesa, mas também alemã, italiana e espanhola
5 tons
Nenhuma?
Fonte: [1] [2]

Conclusão

Acredito que a melhor escolha para a defesa nacional seria mesmo o Rafaele, mas ele é realmente caro e não sei se o Brasil realmente poderia entrar na cadeia de construção dele para exportação, já que ele é um projeto pronto já em construção. Já no Gripen NG o Brasil vai entrar quase que de igual para igual como um parceiro para desenvolver o avião. Nesse mundo pós-crise mundial o Gripen é muito competitivo e pode se tornar bastante popular entre países sem perspectiva de guerra. O Gripen NG foi escolhido recentemente pela Suiça, que não tem nenhuma ameaça militar em vista e pode ainda ser exportado para outros países em situação similar como a Nova Zelandia. Esses países devem preferir o barato Gripen ao caro Rafaele. Em países que tem perigo mais real de guerra acredito que o Rafaele deva ser preferido. Por outro lado a desvantagem do Gripen é que ele é baseado num motor e em mísseis americanos, assim ele não pode ser exportado para países inimigos dos EUA como a Venezuela que são grandes compradores de armas.

O Gripen foi muito criticado devido ao seu baixo alcance, de cerca de apenas 800km na versão anterior. Isso se deve ao fato de que ele foi desenvolvido para as necessidades de um país pequeno, a Suécia, e o tornaria quase inútil num país continental como o Brasil. Mas pelo que entendi essa crítica já foi rebatida e o Gripen NG é um projeto em desenvolvimento que foi revisado para ter um alcance de 1300km sem tanques externos ou 4000km com tanques externos para se adequar as necessidades brasileiras. [fonte] Veja ainda a imagem do raio de alcance do Gripen NG a partir das bases brasileiras. Bom, é um pouquinho curto, mas acredito que isso poderia ser corrigido com uma base no Acre e outra em Natal no nordeste. O alcance do Rafaele de fato é maior, mas creio que tais bases seriam necessárias de qualquer modo, para os aviões não terem de voar no máximo de seu alcance.


Bom, concluo que a escolha realmente estava difícil e que não há uma opção única que é melhor em todos quesitos, mas acho que a escolha será boa para a Embraer e a indústria brasileira, assim acho que de modo geral a escolha foi boa. Tanto o Gripen quanto o Rafaele seriam escolhas boas.

Um comentário:

Direito Correto disse...

tem na sua fronteira loucos como o cocaleiro Evo Morales da Bolívia e os chavistas na Venezuela, precisa ter uma defesa de respeito.

Esqueceu o mais uma coisa, do Uruguai lá legalizaram o fumo de maconha e assim inauguraram a primeira fábrica de esquizofrênicos